Amigos! resolvi criar um post com fotos de alguns dos locais que já visitei. Tentei escolher as que considero mais bonitas!
Abraços do Lobo de Fogo!
out 8th, 2010 by Zuko Vyper
Amigos! resolvi criar um post com fotos de alguns dos locais que já visitei. Tentei escolher as que considero mais bonitas!
Abraços do Lobo de Fogo!
out 8th, 2010 by Zuko Vyper
Sim, finalmente aconteceu!
A coisa foi combinada muito rapidamente. Depois de umas mensagens no Twitter, defini um lugar relativamente perto da estação do metro paulistano e avisei ao Reyres. Seria um almoço/lanche numa lanchonete.
Soube, depois, que o Reyres acabou criando um topico no FurryBrasil pra divulgar o furcontro. Confesso que me apavorei com isso, afinal eu nunca tinha encontrado ninguém do fandom.
Cheguei na capital paulista numa tarde de sol e calor, mas de modo algum eu pensaria em usar outra roupa senão minha camiseta preta personalizada. Após 10 minutos de caminhada, cheguei ao local e não encontrei ninguém. ”Ok, aguardemos”.
Pouco tempo depois divisei a chegada estilosa de Reyres, muito bem trajado (com direito a paletó e gravata!) e protegido por um par de óculos aviador. Disse-me que Johnny, Maia e Draggarahn ja nos aguardavam no andar de cima.
A fome bateu e comemos um lanche bem satisfatório. O papo foi bem tranquilo e descontraído.
Aproveito pra agradecer a hospitalidade e cordialidade dos meus anfitriões, que fizeram desaparecer aquele medo/receio/ansiedade que eu, sem motivo algum, sentia.
O caminho da lanchonete até o hotel (o qual Reyres e os outros insistiram em caminhar comigo) foi ainda mais divertido, devido aos oportunos comentários do Johnny e Reyres.
Maia, você é quieta assim mesmo ou eu a intimidei de algum modo? heheheheh
Lamento muito a ausência de outros grandes amigos da capital que, por seus motivos quaisquer, não puderam comparecer. Não faltarão oportunidades para mais papo, lanches, cerva…
Novamente, muito obrigado pela acolhida! Foi ótimo conhecer outros furries ao vivo!
abraços do Lobo de Fogo!
set 9th, 2010 by Zuko Vyper
Prólogo
Zuko, apoiado com o joelho esquerdo e a pata direita no chão, virou a cabeça para ver seu oponente. O vento e a fumaça não deixavam que ele tivesse uma vista perfeita: distinguia apenas o vulto, ao longe e acima, de pé sobre o penhasco. “Tolo, ousou desafiar o lobo de fogo, agora vai se ver comigo!”
Com impulso das pernas, o Vyper lançou-se em corrida na direção do outro. Sentia-se infinitamente mais forte e ágil que antes, e seus passos deixavam profundas marcas no chão. Com movimentos de seus braços, derrubava as árvores que lhe obstruíam o caminho.
Ouviu o outro gritar palavras numa língua que não compreendia, mas que ecoavam no fundo de sua mente. Uma névoa negra ergueu-se instantaneamente do chão, obscurecendo a visão do lobo. Mais por instinto do que por vontade, Zuko urrou no meio das trevas e o fogo que saía de sua boca e narinas dissolveu a névoa de gelo negro.
Estava a poucos metros do mago. Preparava um golpe certeiro com sua pata direita que arrancaria o focinho dele fora. Não sabia o porquê, mas odiava seu oponente. Um ódio que o consumia e o fortalecia.
Em sua derradeira investida contra o mago, Zuko fitou de relance a superfície do riacho que corria colina abaixo, em sentido contrário à sua subida. A imagem que viu fê-lo estancar de súbito, enquanto seus olhos congelavam de terror. Não conseguia pronunciar qualquer palavra, como se uma corrente lhe apertasse o pescoço. Olhou para as próprias patas, deformadas em garras enormes. Sua imagem refletida era monstruosa. Os pelos enegrecidos se arrepiavam em correntes elétricas, das quais saltavam faíscas azuladas. Do alto da cabeça, dois pares de chifres assimétricos latejavam sua fronte. Tentou correr, mas estava preso ao chão, condenado a olhar eternamente a imagem do seu destino.
Num sobressalto, o mago negro surgiu em sua frente e abaixou o capuz. Revelou-se a cabeça de um pequeno gambá de olhos azuis vestindo óculos trincados. De sua boca saiu o grito horripilante sobre as orelhas do lobo.
- DESTINYYYYYYYY…..!
Capítulo 1 – Cárcere
- Acorde lobo! – Com um pequeno balde, Raijuu jogava água gelada na cara de Zuko, o que o fez despertar de mais um pesadelo.
O lobo vermelho estava numa sala enorme e muito escura. Seus braços, acorrentados ao teto, latejavam. As pontas dos pés mal tocavam o chão liso de gelo. Sua armadura e espadas haviam sido removidas. Pendurado nesta posição Zuko não conseguia controlar o fogo e, mesmo que conseguisse, sentia-se incrivelmente fraco… mas não menos petulante.
- Solte-me, pantera, antes que eu me enfureça e pendure você pelo pescoço nestas correntes! – Zuko falava com certa dificuldade e tentava esconder a dor nos pulsos.
- Hahaha, eu adoraria ver você tentar isso… mas não agora. O Mestre está a caminho e não queremos atrapalhar os planos dele, queremos? – Aproximou seus grandes olhos amarelos do rosto do lobo, de modo sedutor, tocando o focinho dele com o seu próprio. Zuko pareceu ouvir um ronronar durante alguns segundos.
Com um ruído de uma pedra de gelo se arrastando, a grande porta se abriu, iluminando o ambiente. Zuko pode ver, num canto, um grande bloco de gelo negro contendo três vultos congelados. Pela porta entrou o leão cinzento, cujo manto azul arrastava no chão.
- Raijuu, vá ajudar Roglius. Eu assumo daqui.
- Sim Mestre Kamau, como quiser. Ah! Temos notícias de Minkah?
- Ainda não, Raijuu. Suponho que tenha cumprido com as ordens, ou já saberíamos de algo. Agora vá, vocês têm muito a fazer.
Fazendo uma reverência, a pantera negra saiu fechando a porta.
- Bem vindo, lobo de fogo. É uma honra conhecê-lo. Sou Kamau, protetor do Castelo de Cristal do Norte e professor de seu amigo Roglius, que você conhece por Rogério.
- Pena que não posso dizer o mesmo. Sua camareira de olhos amarelos não arrumou a minha cama como se deve. – Zuko não perdia oportunidade de alfinetar seu anfitrião, enquanto tentava soltar as algemas de seus pulsos.
- Sua audácia é mesmo memorável, como eu já imaginava. Não adianta forçar as correntes. Elas têm um “toque” especial, ou se você preferir, um tipo de mágica.
- A única coisa que me impede de deixá-lo aqui falando sozinho é a curiosidade, leão. Por que me convidou tão amavelmente para esta estadia no seu castelo?
- Você tem uma coisa que eu quero, Vyper. Aliás, ambos queremos. Afinal, se você não tivesse feito exatamente tudo como fez até agora, você não teria alcançado tamanho potencial. Seguindo neste ritmo, num futuro próximo você se transformará rapidamente na criatura.
Zuko compreendia tudo agora. Fechou os olhos e inspirou profundamente o ar gelado.
- O que você fez com o gambá, seu desprezível? Tortura? Somente assim ele revelaria isso a você!
- Na verdade, Zuko, Roglius contou tudo de livre e espontânea vontade. Inclusive me pediu que ajudasse a controlar a criatura. É por isso que trouxemos você para cá.
Algo nas palavras do leão parecia dissimulado. O faro aguçado do lobo ardia com a mentira.
- Agradeço sua “preocupação”, Kamau, mas posso me virar sozinho. Agora se você afrouxar esta corrente aqui nós podemos…
- Chega de falatório! Você será meu instrumento para tomar o castelo de Fúrria! Usaremos o poder da criatura dentro de você para dominar as tropas do tirano! O mesmo tirano que perseguiu e prendeu a você e seus amigos!
Zuko interrompeu o que ia dizer ao lembrar os amigos presos e exilados, a perseguição e a ganância do Rei de Fúrria. Lembrou-se da promessa feita a seu irmão. “Libertar Fúrria”. Destronar o tirano era necessário, mas a que custo?
- Percebe agora, lobo? Eu e você queremos o mesmo, nosso destino está entrelaçado. Mas a grande novidade é que eu finalmente descobri como expandir seus poderes…
- “Expandir meus poderes”? Você quer dizer me tornar um monstro? Não, obrigado.
Com passos lerdos, Lord Kamau deu a volta em torno do lobo vermelho pendurado, admirando seu corpo esguio. Deteve-se quando viu a cicatriz em forma de estrela no dorso do lobo.
- Zuko, podemos fazer isso do meu jeito… ou do jeito difícil. Mas quero dar uma pequena demonstração do que nós dois juntos podemos fazer…
A pata direita do leão foi erguida, estancando a poucos centímetros da cicatriz do lobo. Saindo dela, uma névoa negra dançava como pequenos vermes que voavam aleatoriamente em torno de seu punho. Com o dedo indicador em riste, tocou levemente com sua garra no centro da cicatriz do lobo, o que fez os fios negros de magia se incorporarem nas linhas da cicatriz. O contato não durou mais do que um segundo. Zuko sentiu uma dor súbita nas costas, cerrando os olhos e os punhos. Quando os abriu, tinham tornado-se vermelhos, e da suas narinas saiam faíscas de fogo a cada expiração ruidosa. olhou para seu corpo e o viu forte, rápido, invencível. Raias negras avançavam em ondas pos seus pelos, caminhando sob a pele, causando um leve amortecimento. Poucos segundo após, o efeito passava e o lobo de fogo pareceu exausto.
- Isto não é certo Kamau… não podemos… é perigoso liberar o monstro… – Zuko parecia ter pouca convicção em suas próprias palavras após ter experimentado o poder.
Kamau voltava com seus passos preguiçosos para encarar o Vyper. Pelo seu sorriso, definitivamente aprovara este primeiro teste.
- Muito bem, muito bem. Acho que convencê-lo será mais fácil do que eu esperava. Mandarei água e comida mais tarde. Não quero que meu hóspede preferido seja mal recebido em meu castelo. Se resolver cooperar, avise pois será desacorrentado imediatamente.
Sem usar as patas, o leão cinzento abriu a porta mágica e saiu, fechando-a atrás de si.
Lá dentro, Zuko ainda respirava profundamente, a cabeça pendendo para frente em sinal de exaustão. No silêncio, o som episódico e ritmado de uma goteira pingando em algum local da grande sala ecoava de modo enlouquecedor.
***
Algumas milhas ao sul do Castelo de Cristal, a notícia da tomada do Presídio pela Resistência fez divulgar a fama de Roko e do Fantasma, os dois líderes do movimento. O próprio Presídio fora rebatizado como “A Fortaleza”, quartel general dos rebeldes. Em torno dele, a cada dia novas cabanas se erguiam para abrigar os refugiados. Muita gente vinda de todas as partes de Fúrria, Antrúria e das terras-além começou a se aglomerar no que se tornou o maior vilarejo rebelde da história. O exército real fez algumas tentativas de tomar o prédio de volta, todas rapidamente neutralizadas.
- A população rebelde está aumentando, Felix. Veja quantas novas cabanas sendo montadas – Roko, do alto da muralha, apontava para o terreno abaixo.
- Sim lobo, mas isto ia acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. Me preocupa é que logo não teremos mais condições de proteger uma população tão grande.
- Também tenho pensado nisso. Precisamos fortalecer nossos guerreiros e preparar a estratégia para a invasão do castelo do Tirano.
O lobo vermelho ajeitava o longo cabelo grisalho enquanto voltavam para seus aposentos. Felix, caminhando a seu lado, opinava sobre como gerir os alimentos de todos que se aninhavam em torno da Fortaleza. No meio do caminho, dentre as bagagens dos que chegavam, notaram uma grande caixa retangular de madeira.
- De onde veio isso? – Roko viu as inscrições na tampa em língua estrangeira. Forçou-a, sem sucesso. Apoiada sobre dois cavaletes, pouco de mexia, dado o peso que parecia ter. Felix apoiou a pata sobre a madeira, como se tentasse adivinhar ou sentir o que continha. Após alguns segundos, deu de ombros:
- O que quer que esteja aí dentro está morto. Vamos Roko, preciso ver minhas irmãs. Conversaremos mais na hora do jantar. Até mais tarde.
O restante da tarde correu sem outros eventos. O “general” Roko, como ficara conhecido depois das seguidas vitórias contra o Rei, fez a costumeira ronda nas muralhas, conversou com os guardas, recebeu as famílias novas e ainda passou pelo arsenal para conferir as armas. Ao por do sol, esteve presente na cerimônia de troca da guarda do portão. A torre principal da Fortaleza tinha em seu topo a bandeira tremulante dos rebeldes. Um dia atipicamente tranqüilo… exceto pela tal caixa misteriosa cujo conteúdo aguçava a curiosidade do lobo vermelho.
Algumas horas depois o jantar corria como de costume no salão principal. Todos comiam em grandes mesas, uns ao lado dos outros. O pão e o peixe eram repartidos de modo justo, assim como o vinho. Felix e Roko não tinham regalias nem se diferenciavam dos demais: pegavam a mesma fila que todos na hora da refeição.
Em meio ao clima descontraído que se via no refeitório, entra esbaforido pela porta Lord Elldanar, que ocupava agora o posto de Chefe da Guarda da Fortaleza. Olhando por sobre as cabeças de todos, encontrou os cabelos grisalhos que procurava.
- Senhor Roko, temos um problema.
- O que foi, Elldanar? – Roko pousara o pão sobre o prato e se levantava, esperando as más noticias.
- Um batalhão de soldados reais acaba de chegar… estão em frente ao portão com tochas e requerem uma conversa com você imediatamente!
- Todos os guardas, aos postos de batalha! Levem as fêmeas e filhotes para o abrigo! Avisem o Fantasma! Venha Elldanar, vamos ver o que querem esses cavalos afinal!
(continua…)
Sugestão de Trilha sonora:
Korn, “Another Brick in The Wall”
ago 21st, 2010 by Zuko Vyper
O PENÚLTIMO Mestre do Ar
(por Zuko Vyper)
Bom, antes de iniciar este texto propriamente, devo algumas explicações prévias:
1) Há alguns meses eu solicitei ao guaxinim-mor que este texto fosse publicado como “Noticia” no F.U. mas retrocedi neste desejo, pois acho que a motivação para escrevê-lo é muito pessoal/particular, portanto fugindo do foco da imparcialidade.
2) O pré-nome da minha fursona (assim como algumas de suas características) foi baseado num grande personagem da série “Avatar – A lenda de Aang”.
3) Apesar da minha grande paixão pelo cinema, não sou Crítico de filmes por profissão; Aprendi um pouco lendo os comentários do crítico Pablo Villaça, do site Cinema em Cena. Portanto, não esperem uma crítica embasada, fundamentada ou técnica.
4) Este texto está CHEIO DE SPOILLERS, portanto, se você não assistiu ao filme em questão, não prossiga.
Como se define um erro? Dane-se o Aurélio, a gente sabe definir isso. Um erro é uma conduta que foge à regra. Se a regra diz que 2 + 2 = 4, afirmar que o resultado é 5 seria um erro.
Partindo deste pressuposto, “O Ultimo Mestre do Ar”, filme live-action dirigido por M. Night Shyamalan, não pode ser considerado um erro pois não foge à regra que diz que filmes do referido diretor estão aquém do nível de qualidade esperado pra uma projeção. Traduzindo em miúdos, desde “A Dama na Água” e “Fim dos Dias”, a regra de Shyamalan é fazer filmes ruins.
Raios, como lá eu sei que um filme é ruim? Afinal, eu já critiquei muito a série “Crepúsculo” que é um fenômeno de audiência.
Crepúsculo, apesar da filosofia “Sessão da Tarde + Malhação” consegue provocar sensações em seu publico alvo. Já o “Ultimo Mestre do Ar, falha terrivelmente.
Todo mundo criticou os diálogos infantilóides. Mas não é um filme infantil, oras? É sim, mas “Procurando Nemo” é também infantil e consegue cenas inesquecíveis.
Há cenas muito fiéis ao desenho original, como a aparição do Espírito Azul, que contrastam com a ausencia de personagens importantes e muito interessantes como o Rei Bumi ou as Guerreiras Kyoshi, assim como a representação medíocre do mundo espiritual, deixando de fora o avatar Roko e o “Ladrão de Rostos”.
O melhor personagem da 1ª temporada, o General Iroh, foi apenas medianamente representado no filme, e sua ligação com a Ordem da Lótus Branca sequer foi citada. Zuko então, infelizmente, não alcançou a profundidade que seu personagem exige. Nem comentarei o trio de atores principais, pois foi sofrível agüenta-los por 104 minutos.
Adorei os efeitos especiais, a criação da frota naval da Nação do Fogo, as dobras elementais, a música. E foi só.
Agora me pergunto: porque um final tão incoerente? A certa altura, o mestre de dominação de água diz a Aang que “deixe a água fluir com suas emoções”. Poxa, o mongezinho tava puto pela Nação do Fogo ter matado todos os mestres do Ar, então a emoção que se esperaria dele é a de vingança, como ocorreu no fim da 1ª temporada do desenho. Por que diabos quiseram passar a mensagem que o Avatar não podia machucar ninguém? ELE PODE SIM, e machucou várias vezes no original. Mas não aqui.
Uma palavrinha sobre a dublagem (sim, eu vi dublado): desde que fora lançada há mais de 6 anos, Sokka, um dos personagens principais, tem seu nome pronunciado com o “o” em som aberto (algo como “Sóca”). A dublagem, presumo eu querendo evitar algum tipo de cacofonia que levasse a dupla interpretação (afinal, somos todos um bando de pervertidos que vemos sacanagem em tudo, né?) pronunciou durante todo o filme como “Súca”. Isto me remete à tradução IRRITANTE de dois personagens de Star Wars: o Conde Dookan era originalmente “Count Dooku” e o Mestre Jedy falecido Zaifo Vias foi concebido com o nome de “Sifo-Dyas”. Quem “sifo-deu” foi a audiência brasileira porque nos outros países de língua portuguesa estes estupros traducionais não foram perpetrados.
Alguns de vocês sabem que possuo uma camiseta personalizada com o nome do meu fursona. Eu sentiria ligeiramente envergonhado de usá-la em público depois de um filme como esse, com o medo de ser associado ao personagem mal conduzido e ao filme tão decepcionante. Só não foi pior porque este que vos escreve já tinha lido as críticas internacionais.
Pra mim, o ÚLTIMO MESTRE DO AR continua sendo o Aang do desenho, engraçado e triste, poderoso e imaturo, que destruiu a barraca de venda de repolhos várias vezes pra nosso divertimento. Este do cinema, na melhor das hipóteses, é o penúltimo ou antepenúltimo.
ago 6th, 2010 by Zuko Vyper
- Amigos, o jantar está servido! – Conde Reyres, à cabeceira da mesa, indicava os lugares a seus dois visitantes.
A longa mesa estava ricamente decorada com toalhas de seda e castiçais de ouro. As serviçais – inúmeras delas – traziam pratos e mais pratos, que preenchiam a grande sala com odores enebriantes. Os quadros pendurados há décadas já haviam sentido aquele aroma milhares de vezes.
Do lado direito do Conde, o Senhor Balls em pé ajeitava a cadeira de sua companheira. O grande Irish Wolf Hound mal cabia no terno preto e o pequeno nó de sua gravata dava a desagradável sensação de sufocamento. Já Heine, a gata verde, parecia opostamente confortável em seu vestido preto rendado; seus olhos verdes perscrutavam por trás do véu o banquete que era servido.
- Meninas, tragam o vinho por favor. – o Conde parecia ser um lobo jovem pra quem havia herdado tamanha fortuna. Quando lhe foi entregue a garrafa, puxou o monóculo de seu robe de seda vermelha e, lendo a letra miúda, aprovou a data. – 1920! Ótima safra essa, não Sr. Balls?
- Há dez anos atrás eu nem conhecia vinhos ainda, Conde. – Balls falava enquanto dava a volta por trás da cadeira do anfitrião em direção à sua própria, à esquerda. Quando se sentou, um trovão e um raio romperam o momentâneo silêncio da sala, lembrando a todos da tempestade que caía naquela noite. Com o susto, o cão derrubou a maleta de couro preto que jazia em pé do lado de sua cadeira.
Durante alguns segundos, olhou para a maleta caída totalmente paralisado como se o ato de derrubá-la pudesse explodir todo local. Heine, percebendo o desconcerto de seu companheiro, procurou distrair o Conde.
- Então, Conde, conte-nos mais sobre a mansão. São trinta quartos mesmo? – Com um movimento do tronco, expôs discretamente o decote a fim de atrair o olhar do lobo.
- Trinta e três, se contarmos os da ala leste, minha querida. – Reyres fixou olhar na gata verde (não em suas curvas sensuais mas no cintilante colar de pérolas que ela trazia pendurado, e o quanto ele harmonizava com os brincos). – Realmente meu tio Tanuki fazia questão de espaço.
- Onde está ele agora? – Heine prolongava o assunto enquanto Balls se refazia e discretamente erguia a maleta caída do chão, reposicionando-a novamente próximo a sua perna direita, sob a mesa.
- Minha querida, depois de passar todos os bens para meu nome – incluindo o título de “Conde” – ele partiu numa viagem espiritual…
- Oh, sinto muito… ele está morto?
- Não, está no Canadá. Meninas! – batendo palmas por três vezes, Conde Reyres ordenou que as serviçais saíssem para que pudessem comer.
***
Horas depois, noite adentro, estavam os três sentados em grandes poltronas em frente a lareira. Apenas a luz do fogo iluminava o ambiente. Conde Reyres segurava uma delicada taça de licor de pêssego; já Balls preferira o brandy, enquanto Heine apenas observava.
- Esta tempestade não nos deu trégua… será que amanhã poderemos conhecer o estábulo? – A gata parecia preocupada, mas definitivamente não era com o clima.
- Recoste-se, minha querida. Nesta época do ano é comum ocorrerem tempestades como essas. Garanto que amanhã o sol vai estar brilhando. – Amenizou o Conde, bebericando sua taça.
Meio alheio a esta conversa casual, o Sr. Balls tinha o olhar e o pensamento longes. Inconscientemente virou o conteúdo do seu copo de uma só vez e ficou em pé, pegando sua maleta preta do chão.
- Conde, a viagem de carruagem foi um tanto cansativa. Eu e minha amada companheira gostaríamos de nos recolher, se não for rude de nossa parte.
- De modo algum, meu caro. Meninas! Acompanhem o Senhor Balls e a Senhorita Heine para seus aposentos… AGORA!
Após a subida da longa escada de madeira finamente decorada com um veludo vermelho, o casal foi conduzido até o andar dos aposentos. Ficariam em quartos vizinhos mas sem comunicação, como era de bom grado para os costumes da época. Despediram-se em com um silencioso “boa noite” que saía de seus olhares, enquanto o Conde os observava da penumbra e seus dedos tamborilavam no batente da porta do escritório.
Heine fechou a porta e se despiu, jogando o volumoso vestido no chão. Quando se sentou em frente ao espelho para se pentear, não tinha um pingo de sono. Tentou diminuir a ansiedade abrindo a janela para ver a noite, já que a tempestade parara. Não tinha vento, e o céu negro parecia a ponto de desabar a qualquer minuto. Aquela mansão, a tempestade, o exótico Conde… tinha que dar tudo certo… e tinha que ser naquela noite… Perdida nesses pensamentos, a gata foi surpreendida por um relâmpago que momentaneamente clareou todo paredão que separava sua janela do chão, arrepiando-se da cabeça aos pés quando pareceu ver uma estranha criatura se arrastando pela parede em direção a sua janela…
***
O Senhor Balls estava sentado na cama com as mãos apoiadas sobre os joelhos. Olhava fixamente para a maleta preta agora aberta sobre a cama. Lentamente levou a mão direta ate o pescoço, afrouxando um pouco a gravata e desabotoando o primeiro botão da camisa de linho branco.
Quantas vezes já havia decidido nunca mais abrir aquela maleta, e tantas vezes fora vencido por sua fraqueza. A plenitude que sentia durante o efeito sempre antagonizava a depressão que sentia quando este passava.
Mas hoje era necessário… mais uma vez.
Retirou o fundo falso da maleta, revelando um compartimento no qual um pequeno frasco repousava. O vidro era todo trabalhado dando a impressão de que se tratava de dezenas de diamantes unidos lado a lado em forma de frasco. Pegou-o com cuidado e observou seu líquido verde através do reflexo da chama de uma vela próxima.
- Não! É melhor desistir! Isso não vai dar certo…
Quando ia guardando novamente o frasco, um arrepio percorreu-lhe a espinha. Um uivo agudo rompia na madrugada ecoando pelos corredores da casa.
Balls tomou o pequeno frasco novamente em sua mão. Destampou a pequena rolha e aproximou-o do focinho, inalando profundamente…
***
Reyres estava em sua banheira. A água quente embaçava as janelas e espelhos de seu quarto, criando uma leve neblina no aposento. Com a cabeça para fora da água, tinha os olhos fechados, efeito das incontáveis doses de licor. Coçou a discreta cicatriz sobre a pálpebra esquerda.
- Então eles acham que podem vir aqui e comprar tudo… metidos da cidade, isso sim. Mas estou preparadíssimo pra tipos como eles. – tirando a mão esquerda de dentro d’água, pegou o punhal prateado que se apoiava próximo, olhando seu próprio reflexo na lâmina. – Eles não foram os primeiros, nem serão os últimos. Meses depois a polícia vem, mas nunca acham os corpos. Eu sempre fiz um bom trabalho. Eu e você, não é, minha coisinha brilhante?
O Conde trouxe o cabo do punhal, cravejado de rubis, até os lábios e o beijou tenramente. Sentiu que a água da banheira esfriava.
- Marly! Traz a toalha que eu vou sair.
O silêncio da empregada e a demora de alguns segundos o fizeram perder a paciência.
- Senhorita Marly Wolf, venha aqui AGORA! Traz minha toalha já!
Ainda sem resposta, o Lobo ergueu-se da banheira e, nu, caminhou passos zangados até a porta onde uma senhorita ganharia uma bela bronca. Os pelos molhados pingavam no carpete do quarto, quando abriu a porta do quarto.
- Marly sua irresponsável, como é que você me esquece com esse frio e… OH MEU DEUS!!! – Com as duas mãos sobre a boca aberta, o Conde viu o corpo de sua empregada estendido no chão, com a garganta dilacerada. Uma enorme poça de sangue quente escorria, tocando as pontas dos dedos de seu pé.
Quando virou o rosto para chamar ajuda, viu os corpos de outras duas empregadas suas, caídos a poucos metros, igualmente mutilados. Não teve força sequer para gritar. Voltou para o quarto e trancou-se por dentro.
- O que aconteceu? Veio mais alguém com eles? Não é possível! – Reyres de tão perplexo e chocado, nem lembrou de vertir-se. Correu até a banheira e agarrou o punhal, segurando como se fosse um quebrador de gelo, olhos arregalados. Notou uma sombra se movendo no canto escuro de seu quarto.
- Quem está aí? Eu tô armado! Saia antes que eu…
A grande figura caminhou passos pesados na direção do Conde. Quando passou pela janela, a rara luz que entrava revelou uma silhueta de uma grande raposa, com muitas caudas. Os olhos brancos e sem pupilas era a única coisa facilmente identificável. O silêncio ensurdecedor era violentado pelo som dos passos da criatura.
Reyres já não tremia. Apenas jazia no chão, enquanto a vida escorria quente de sua garganta e dava um tom rubro ao assoalho do quarto.
***
A madrugada já ia alta. Heine estava deitada em sua cama, num sono agitado. Acordara várias vezes num sobressalto, como se ouvisse gritos. Sua camisola branca de mangas era a segunda da noite, a primeira já previamente empapada de suor.
O silêncio foi gentilmente quebrado pelo ranger da porta de seu quarto abrindo. A gata verde tremeu sob as cobertas.
Passos no quarto. Novo rangido da porta se fechando, o clique da fechadura. Passos se aproximando da cama. O bater acelerado do coração da gata e a respiração ofegante.
Uma mão toca o pé da gata verde.
Jogando a coberta para o lado, Heine se senta bruscamente na cama e, com as garras de sua pata direita expostas, desfere um golpe em direção ao rosto da criatura sombria que se debruçava sobre ela.
Sem muito esforço e tão rapidamente como um espírito, a grande raposa sombria segurou o punho da gata, bloqueando o golpe e fazendo-a gemer. Aproximou seu focinho do dela, rosnando.
Heine e a criatura. Poucos centímetros, as caudas sombrias se agitando na noite. O gemido leve da gata… Heine não mais se conteve.
Com a mão livre, abraçou a nuca da criatura. Lambeu-lhe os lábios, sentindo o gosto de sangue fresco. Beijou-o apaixonadamente enquanto os braços fortes a envolviam e a acariciavam na cama, durante todo resto da madrugada.
No dia seguinte, o senhor Balls acordava em seu quarto. O frasco vazio jogado num canto. Heine dormiria até mais tarde, quando então decidiriam o que fazer com sua nova fortuna.
jul 23rd, 2010 by Zuko Vyper
Ola amigos! Inicio hoje mais um empreendimento rumo à total conectividade social: criei este blog!
Confesso que nao o teria criado se nao fosse pela facilidade imensa oferecida pelas ferramentas do portal Fauna Urbana.
Isto me fez pensar… Anos atrás, antes de que eu existisse como lobo de fogo, possuía uma conta no Orkut – primeira rede social a emplacar no Brasil. Hoje minha pata vermelha lança faíscas sobre o Twitter, DeviantArt, Fauna Urbana, Furry Brasil, Second Life… fora minha conta de email pessoal não furry.
Será que a necessidade de estarmos conectados é tamanha?
Há poucos dias, por motivos que nao vem ao caso, fiquei afastado de todas as redes sociais. Obviamente nao morri de sindrome de abstinência, mas é dificil estar longe. A pressão vem de todos os lados, desde a vontade de dar só aquela olhadinha, até os pedidos dos mais próximos (“volta, Zuko!“).
Mas estes poucos dias afastado me fizeram olhar pra dentro, coisa que eu precisava muito.
Então, como sugestão paradoxal neste primeiro post, eu vos digo:
SAIAM DO TWITTER, ORKUT, FACEBOOK, MYSPACE, MSN, FORUNS E BLOGS… por uns dias apenas. Olhem pra dentro de voces. Quando voltarem, estarão melhores. De nada vale uma extensa rede de fibra óptica sem a luz interior de cada um.
Abraços do Lobo de Fogo!
(e aguardem mais posts!)